sexta-feira, 27 de maio de 2011

O que ocorre com as emissoras AM de Bauru?

Bem, pessoal, eu me propus a contar um pouco de minha história vivida dentro das rádios por onde militei por aproximadamente 20 anos, em raros momentos profissionalmente, a maioria dos anos como voluntário e/ou colaborador. Farei isso em próximas postagens porque, estou com “um negócio aqui na goela” e não conseguirei dar continuidade nessa história sem antes voltar ao presente e “colocar pra fora” minha opinião sobre o que está ocorrendo com as emissoras AM da cidade, que me deixa, antes de triste, simplesmente indignado!

Trata-se da Rádio Bandeirantes, ex Bauru Rádio Clube, atualmente na freqüência de 1160 Khz, que abusa, creio, do “direito” de contrariar a lei federal que instituiu a concessão às rádios comerciais através do Ministério das Comunicações. Citei “creio” porque não obtive respostas à minhas indagações via e-mail e muito menos encontrei uma informação no site desse órgão estatal sobre o assunto. Ocorre que, como disse anteriormente, sou um apaixonado por esse veículo de comunicação e ouço, sempre que posso, principalmente as rádios AM, as minhas preferidas. E isso acontece justamente numa rádio pertencente a uma das mais poderosas redes de comunicação do país, aquela mais ferrenha “defensora da legalidade” haja vista o combate sistemático às chamadas “rádios-piratas”. Cadê a Anatel, cadê a fiscalização? Não é por falta de denúncias, eu mesmo já fiz algumas, sem absolutamente uma só resposta.

Então vou me deter hoje especificamente à programação diária da Band Bauru. O que ela apresenta, convenhamos, respeitadas todas as tendências religiosas e excluindo raras participações, é simplesmente bizarro, para não dizer ridículo.  Não tive tempo nem paciência de contar (por mais religioso que eu fosse não conseguiria ouvir toda a “programação”), porém, seguramente a emissora loteou seu espaço diário para, pelo menos, 50 “micro-empresas” evangélicas, repetindo, raras delas até com boas intenções. Mas o que tem de micro empresários que se intitulam “apóstolos”, “bispos”, “missionários”, “pastores”, etc. é uma grandeza!!! É um tal de “sai capeta”-“entra capeta” que não tem fim, sem considerarmos os grotescos erros de português... Um absurdo como, em nome de Deus, se manipula de forma tão escandalosa e inescrupulosa a fé das pessoas mais simples, modestas, humildes, algumas desesperadas por desestruturação familiar, algum tipo de doença, falta de emprego, ou outra dificuldade qualquer, por vezes momentânea, mas que acreditam nos “milagres do dízimo”...

Convido você que me lê agora, se gostar de rádio AM, dá uma sintonizada aos domingos, às 13:00, e ouça o “apóstolo Marcos”. No final do programa ele fornece seu número de celular para as pessoas ligarem, à título de constituir uma “coluna” (?), e bancarem o pagamento do aumento do horário do citado “pograma”... Ele calcula R$.2.500,00 (10 colunas a R$.250,00 cada) mas também deixa claro que aceita uma “coluna” única de R$.2.500,00...
Seria cômico se não fosse trágico, até porque, talvez, muitas dessas “colunas”, ouvintes ingênuos, padecem de dores na “dita cuja” e teriam seu suado dinheiro bem melhor empregada num médico convencional...

Ouço isso enquanto aguardo, almoçando, a conexão com a Bandeirantes de São Paulo para acompanhar as notícias que antecedem a jornada esportiva da emissora...  Canso, me dá asco, e mudo para a Canção Nova, 930 Klz, mas essa também só transmite programação religiosa, mas essa, digamos, é “especializada” e recebeu a concessão com essa finalidade... Então sobra apenas uma AM na cidade, a mesma que se vangloria de possuir mais de 80% da audiência entre as AMs. Mas essa já morreu há muito tempo e só se esqueceu de “se enterrar” tal é a má vontade manifestada com a “maior audiência”, tanto que ainda existem vinhetas gravadas por profissionais que por ela passaram há mais de 15, 20 anos... Nem essa preocupação, de uma atualização das vinhetas de chamadas para alguns programas eles tem, o que dizer então da velha, triste, amadora e enfadonha programação?  Aí não tem jeiro, a migração pro “apóstolo” Marcos é inevitável, ali permanecendo por absoluta falta de opção e pasmos com o que acabam ouvindo? É a comprovação que o bizarro atrai...

E dizer que as cidades de Ribeirão Preto e São José dos Campos, além de outras, menores, possuem afiliadas da Bandeirantes foram contempladas com digna programação local... O que será que essas cidades tem que Bauru não tem? Seria uma maior vontade política de agir ou profissionais mais competentes? Ou as duas coisas? Não posso crer que a orientação para o “loteamento evangélico” da programação da Band Bauru tenha partido da “nave-mãe” em São Paulo.  
Enquanto que por essas cidades se prioriza uma programação decente, aproveitando os bons radialistas, jornalistas, representantes comerciais locais, administrativos, técnicos, etc., oferecendo-lhes a possibilidade de empregos e desenvolvimento profissional, por aqui a preferência é pelo método mais fácil. Em vez de se prospectar vendas através de visitas ao possível cliente, é muito mais prático, econômico e cômodo ficar à espera das visitas de “micro-empresários” para comprar um dos horários disponíveis, (atualmente a disponibilidade vai da 1:00 às 6:00 da matina e, aos domingos, das 14:00 às 6:00 de segunda-feira) não importando quem e o que VAI PRO AR seja “estrupo” ou “pograma”... O que importa é que VENHA A GRANA... Fácil!!!
Sem esquecer que a Band Bauru é a única rádio no Brasil, com certeza, que retransmite 2 (duas) vezes a “Voz do Brasil”, uma localmente, outra em cadeia com a “nave-mãe”... Realmente o descaso é total!!!

Cadê a Anatel, tão operante e resoluta no combate à ilegalidade nos meios de comunicação? Ou será que ela só tem olhos para as chamadas rádios-piratas? Tenho vontade, e disposição, para mobilizar um abaixo assinado, encaminhando-o para a Anatel e Bandeirantes de São Paulo na tentativa de mudar esse estado de coisas, quem vem junto? 

Por estar fora do ar a 710 AM (ex-Terra Branca), que também mereceria uma severa auditoria e intervenção por parte do Ministério das Comunicações e Anatel, será abordada proximamente. 

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A culpa foi da Marabi, da Band e do Enzo, creiam...

Sintam só, amigos, este Blog veio mesmo a calhar para que eu possa me manifestar sobre aquilo que aprecio muito: o rádio. Sempre fui e continuo sendo um assíduo ouvinte e minha breve passagem produzindo e apresentando programas em emissoras da cidade fez-me conhecedor das "entranhas" desse veículo de comunicação em massa.

Desde minha adolescência ouço rádio com muita constância. E sempre fui um fã ardoroso do rádio AM. Desde meus 13 anos de idade, quando comecei a trabalhar durante o dia e estudar à noite, lá pelas 23:00, quando chegava em casa, no bairro do Belenzinho, ia para a cama e, ao meu lado, por falta de um criado-mudo, usava uma cadeira e, em cima dela, um pequeno rádio valvulado Invictus, com sua carcaça plástica já colada por meu pai, tantos foram os tombos de cima da cadeira. 

A sintonia era sempre na Rádio Bandeirantes, no Programa Moraes Sarmento, onde comecei a conhecer cantores e cantoras como Orlando Silva (o preferido de Moraes Sarmento), Francisco Alves, Carlos Galhardo, Nelson Gonçalves, Vicente Celestino, Dalva de Oliveira, Isaurinha Garcia, Aracy de Almeida, entre outros tantos.

Tive o privilégio de acompanhar o “nascimento artístico” de cantores como Maysa, Agostinho dos Santos, Roberto Luna, Agnaldo Rayol, Elis Regina, Jair Rodrigues, Almir Ribeiro, Noite Ilustrada, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Germano Mathias (este foi colega de farda quando servi ao Exército Nacional no Quartel de Quitaúna, Osasco, SP), a chegada dos internacionais Gregório Barrios, Lucho Gatica, Bienvenido Granda, Frank Sinatra, Rita Pavone, Domenico Modugno, Sérgio Endrigo e o surgimento dos movimentos musicais da Bossa Nova, Jovem Guarda, Tropicalha e os sensacionais Festivais da Canção Popular das antigas TV Excelcior e Record, então canal 7 de São Paulo.

Aliado a tudo isso meu pai constituiu uma empresa de construção civil denominada “Marabi” (“Mar” de Marte, nome de meu pai, e “Abi” de Abílio, seu sócio), cujo escritório ficava na Rua Senador Feijó, no centro da cidade de São Paulo. E meu pai “convidou-me” a participar de seu trabalho, no escritório, inicialmente atendendo ao telefone. Ocorre que o número do telefone da Construtora Marabi era praticamente o mesmo numero do telefone da Rádio Bandeirantes da capital, com apenas 1 numero fazendo o diferencial. E, óbvio, dezenas de pessoas, diàriamente, ao tentarem ligar para os programas da BandAlmeida Passos, acabavam tendo suas ligações atendidas por mim... 

E eu, que já gostava de ouvir rádio, comecei a tomar gosto por “trabalhar em rádio” já que, por muitas das vezes, me fazia passar pelo Enzo, prolongando longos papos com os “ouvintes”. Já atendia ao telefone dizendo “Bandeirantes, boa tarde!”... (risos)
Bem, como me propuz a fazer deste Blog uma espécie de novela em capítulos, no próximo continuarei esta história até chegarmos aos dias atuais... Semana que vem continuo!